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DISCIPLINA Listagem de Ementa/Programa

TÓPICOS ESPECIAIS EM SOCIOLOGIA 11DISCIPLINA 105741

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ÓrgãoSOL Departamento de Sociologia
Código105741
DenominaçãoTópicos Especiais em Sociologia 11
NívelGraduação
Início da Vigência em1988/2
Pré-requisitos SOL 134465 Introdução à Sociologia E
EST 115011 Estatística Aplicada
EmentaInício da Vigência em 2017/2

Hannah Arendt (1906-1975) é uma das mais influentes filósofas do século XX.
Debateu temas de grande atualidade, como o totalitarismo, ideologia, poder,
violência, liberdade e política. Sua contribuição para a sociologia evidencia-se,
sobretudo, em estudos de problemas relacionados ao fenômeno da dominação. Sua
obra se inscreve em um debate amplo sobre o significado e o conceito de política.
Pode ser compreendida como a tentativa de responder a seguinte questão: qual espaço
da política na sociedade e em especial na sociedade moderna?
A disciplina se concentrará em três dos seus principais livros: Origens do
Totalitarismo (1951), A Condição Humana (1958) e Eichmann em Jerusalém – Um
relato sobre a banalidade do mal (1963). Essas obras reúnem, de certo modo, as
preocupações teóricas centrais da autora presentes nos trabalhos e formulações
posteriores. Como leituras relacionadas serão debatidos, entre outros, seus ensaios
Compreensão e política; Verdade e política; O que é liberdade?, Responsabilidade
pessoal sob a ditadura; e o ensaio sobre Walter Benjamin. Serão lidas também
entrevistas e cartas.
Em Origens do Totalitarismo destaca-se importante reflexão sobre o racismo como
ideologia do imperialismo e o próprio conceito de ideologia; em A Condição
Humana, sobressai-se a análise sobre a modernidade e a política; em Eichmann in
Jerusalém ressalta-se uma reflexão sobre a prática do mal, resultante da ausência de
reflexão e responsabilidade pessoal. Ao buscar compreender acontecimentos
marcantes de sua época, a exemplo de duas guerras mundiais e o surgimento de
regimes totalitários, cenários de suas vivências, Hannah Arendt examina questões de
grande interesse na atualidade e do pensamento político contemporâneo.

ProgramaInício da Vigência em 2017/2

O curso pretende discutir a relação entre política e liberdade e a relação entre política
e violência. Outro aspecto a ser examinado é a importância que Hannah Arendt
confere ao indivíduo, como ser singular, ao explorar o potencial inovador e as
características de imprevisibilidade e irrevogabilidade da ação. A disciplina se
concentra em especial nos conceitos de ação, política e poder, tendo sempre em
mente as tensões e interações entre indivíduo e sociedade, pensamento e ação. Outros
temas e questões de interesses dos alunos poderão e devem ser debatidos, a partir das
leituras e temas relacionados ao programa.
3. PROCEDIMENTOS E AVALIAÇÃO
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O curso será ministrado por meio de aulas expositivas, estudos dirigidos e seminários,
sendo esses últimos optativos. As leituras serão definidas para cada aula e serão
solicitados fichamentos de cinco textos. As referências completas dos textos estão
indicadas nas quatro seções temáticas. A avaliação compreenderá: na participação em
sala de aula, na qual a leitura dos textos é imprescindível; na entrega de cinco
fichamentos a serem indicados pela professora (2,0 pontos); e em um ensaio de um
dos três livros indicados na ementa (8 pontos). Os alunos que apresentarem um
seminário terão um ponto na média final.
5. CONTEÚDOS
A disciplina está dividida em quatro seções. A primeira consiste na leitura e no debate
da obra Origens do totalitarismo; a segunda, de A condição humana; a terceira, de
Eichmann em Jerusalém – Um relato sobre a banalidade do mal; e a quarta seção
debate alguns ensaios relacionados aos conteúdos do programa.

BibliografiaInício da Vigência em 2017/2

A seguir, é apresentada a sequência das seções, com a indicação das leituras da
bibliografia básica. Durante a Semana Universitária, de 23 a 27 de outubro, não
haverá aula para que os (as) estudantes participem das atividades.
1. Hannah Arendt – Vida e obra
Seção I – Origens do totalitarismo
ARENDT, Hannah. Origens do totalitarismo. São Paulo: Companhia das Letras,
1989, 562 p.
2.Parte I – Anti-semitismo
3.Parte II - Imperialismo
4.Parte III - Totalitarismo
Seção II – A condição Humana
ARENDT, Hannah. A condição humana. Rio de Janeiro: Forense-Universitária,
1987, 338 p.
5. Capítulo I – A condição humana
6. Capítulo II – As esferas pública e privada
7. Capítulo III – Labor
8. Capítulo IV – Trabalho
9. Capítulo V – Ação
10. Capítulo VI – A vida activa e a era moderna
Seção III – Eichmann em Jerusalém – Um relato sobre a banalidade do mal.
ARENDT, Hannnah. Eichmann em Jerusalém - Um relato sobre a banalidade do
mal. São Paulo: Companhia das Letras, 1999, 336 p.
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11. Cap. I ao II – A Casa do acusado; O acusado.
12. Cap. III ao IV - Um perito na questão judaica; A primeira solução: a expulsão.
13. Cap. V ao VI - A segunda solução: concentração; A solução final: o assassinato.
14. Cap. VII ao VIII. A Conferência de Wannsee, ou Pôncio Pilatos; Deveres de um
cidadão respeitador das leis
14. Cap. IX ao X - Deportação do Reich – Alemanha, Áustria e o Pretetorado;
Deportação da Europa Ocidental – França, Bélgica, Holanda, Dinamarca, Itália.
13. Cap. XI ao XII – Deportações dos Bálcãs – Iugoslávia, Bulgária, Grécia,
Romênia; Deportações da Europa Central – Hungria e Eslováquia.
14. Cap. XIII ao XIV - Os centros de extermínio do Leste; Provas e testemunhas;
15. Cap. XV – Julgamento, apelação e execução; Epílogo e Pós-escrito.
Seção IV – Ensaios, entrevistas, cartas
16. ARENDT, Hannah. Responsabilidade pessoal sob a ditadura. In: _____.
Responsabilidade e julgamento. KOHN, Jerome (Org.). São Paulo: Companhia da
Letras, 2004. p. 79-111.
17. Auschwitz em julgamento. In: _____. Responsabilidade e julgamento. KOHN,
Jerome (Org.). São Paulo: Companhia da Letras, 2004. p. 295-326.
18. Pensamento e considerações morais. In: _____. Responsabilidade e julgamento.
KOHN, Jerome (Org.). São Paulo: Companhia da Letras, 2004. p. 226-257.
19. ARENDT, Hannah. Compreensão e política (as dificuldades da compreensão). In:
_____. Compreender: formação, exílio e totalitarismo (Ensaios) 1930-54. KOHN,
Jerome (Org.). Tradução Denise Bottman. São Paulo: Companhia das Letras: Belo
Horizonte: Editora UFMG, 2008. p. 330-346.
20. ARENDT, Hannah. Pensamento e considerações morais. In:
_____.Responsabilidade e julgamento. KOHN, Jerome (Org.). Tradução Denise
Bottman. São Paulo: Companhia das Letras, 2004. p. 226-257.
21. ARENDT, Hannah. Verdade e política. In:_____. Entre o passado e o futuro.
São Paulo: Editora Perspectiva, 1972, p. 282-325.
22. Reflexões sobre Little Rock. In: _____. Responsabilidade e julgamento. KOHN,
Jerome (Org.). São Paulo: Companhia da Letras, 2004. p. 261-281.
23. Sobre a emancipação das mulheres. In: _____. Compreender: formação, exílio e
totalitarismo (Ensaios) 1930-54. KOHN, Jerome (Org.). São Paulo: Companhia das
Letras: Belo Horizonte: Editora UFMG, 2008. p. 93-95.
24. Filosofia e política. In: ARENDT, Hannah. In: _____. A dignidade da política.
ABRANCHES, Antônio (Org.). Tradução Helena Martins e outros. Rio de Janeiro:
Relume- Dumará 1999. p. 91-115.
25. ARENDT, Hannah. Walter Benjamin (1892-1940). In:_____. Homens em
tempos sombrios. São Paulo: Companhia das Letras, 1987. p. 133-176.
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26. ARENDT, Hannah. Que é Liberdade? In:______. Entre o passado e o futuro.
São Paulo: Editora Perspectiva. p. 188-220.
27. ARENDT, Hannah. Desobediência civil. In:_____. Crises da República. São
Paulo: Editora Perspectiva, 1999. p. 49-90.
28. Entrevista – ARENDT, Hannah. Só permanece a língua materna. In: _____. A
dignidade da política. ABRANCHES, Antônio (Org.). Tradução Helena Martins e
outros. Rio de Janeiro: Relume- Dumará 1999. p. 123-143.
29. Entrevista –ARENDT, Hannah. Reflexões sobre política e revolução – Um
comentário. In: _____. Crises da República. São Paulo: Editora Perspectiva, 1973. p.
171-201.
30. Carta de Hannah Arendt a Gersham Scholem. In:_____. Escritos judaicos.
KOHN, Jerome; FELDMAN, Ron H. (Orgs.) Tradução Laura Degaspare Monte
Mascaro, Luciana Garcia de Oliveira e Thiago Dias da Silva. São Paulo: Amarilys,
2016, p. 755-763.
6. BIBLIOGRAFIA COMPLEMENTAR
ADLER, Laure. Nos passos de Hannah Arendt. Tradução Tatiana Salem Levy e
Marcelo Jacques. Rio de Janeiro: Record, 2007, 643 p.
ARENDT, Hannah. A vida do espírito: o pensar, o querer e o julgar. Rio de Janeiro:
Relume Dumará: Ed. UFRJ, 1992, 392 p.
_____. Algumas questões de filosofia moral. In: _____. Responsabilidade e
julgamento. KOHN, Jerome (Org.). São Paulo: Companhia da Letras, 2004. p. 112-
212.
_____. Da violência. In: _____. Crises da República. São Paulo. Editora Perspectiva,
1973, p. 91-169.
_____. Escritos judaicos. KOHN, Jerome; FELDMAN, Ron H. (Orgs.) Tradução
Laura Degaspare Monte Mascaro, Luciana Garcia de Oliveira e Thiago Dias da Silva.
São Paulo: Amarilys, 2016, 895 p.
_____. Filosofia e sociologia. In: _____. Compreender: formação, exílio e
totalitarismo. KOHN, Jerome (Org.). KOHN, Jerome (Org.). São Paulo: Companhia
das Letras: Belo Horizonte: Editora UFMG, 2008. P. 58-72.
_____. Hannah Arendt on Hannah Arendt. In: HILL, Melvyn A. (Org.) Hannah
Arendt: The Recovery of the Public World. St. Martins’s Press. New York, 1979,
p. 301-39.
_____. Lições sobre a filosofia política de Kant. Rio de Janeiro: Relume Dumará,
1993.
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_____. Love and Saint Augustine. Edited and with an Interpretative Essay by Joanna
Vecchiarelli Scott and Judith Chelius Stark. The University of Chicago Press, Ltdl,
London, 1996, 233 p._____. O conceito de amor em Santo Agostinho. Lisboa:
Instituto Piaget, sd.
_____. O fim da tradição. In: _____. A promessa da política. Jerome Kohn (Org.).
Rio de Janeiro: DIFEL, 2010.
_____. O que é a filosofia da existência? In: _____. Compreender: formação, exílio
e totalitarismo (Ensaios) 1930-54. KOHN, Jerome (Org.). Tradução Denise Bottman.
São Paulo: Companhia das Letras: Belo Horizonte: Editora UFMG, 2008.
_____. O que é política? LUDZ, Ursula (Org.). Rio de Janeiro: Bertrand Brasil,
1998, 240 p.
_____. Reflections on Literature and Culture. Edited by Susannah Young-AH
Gottlier. Califórnia, Stanford, 2007.
_____. Sobre a revolução. São Paulo: Companhia das Letras, 2011, 410 p.
ARENDT und BENJAMIN. Germany. Surhkamp, 1975.
ARENDT, Hannah; McCARTHY, Mary. Between Friends: The Correspondence of
Hannah Arendt and Mary McCarthy (1949-1975). New York, Harcourt Brace, 1994.
BENJAMIN, Walter; SCHOLEM, Gershom. Correspondência (1933-1940). São
Paulo: Editora Perspectiva, 1993.
CANOVAN, Margareth. Hannah Arendt: a reinterpretation of her political
thought. Londres, New York, Cambridge University Press, 1994, 298 p.
HABERMAS, Jürgen. O conceito de poder em Hannah Arendt. In: Habermas:
Sociologia. ROUANET, Paulo Sergio; FREITAG, Barbara (Orgs.). São Paulo, Ática,
1980, p.100-118.
LAFER, Celso. Hannah Arendt: Pensamento, persuasão e poder. 2 ed. rev. e amp. ,
São Paulo: Paz e Terra, 2003, 197 p.
YOUNG-BRUEHL, Elisabeth. Hannah Arendt – Por amor ao mundo. Rio de
Janeiro: Relume Dumará, 1997, 492 p.